Mazagão Velho, onde o Marrocos encontrou a Floresta Amazônica

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Há exatos seis anos, quando eu ainda estava mais próxima daquela linha que separa os 20 dos 10 do que dessa que separa os 20 dos 30, eu e minha irmã passamos um mês no Amapá conhecendo as comunidades quilombolas que existem por lá. Viagem que combinou tudo de bom: paisagens lindas (a floresta Amazônica é inesquecível), muito sabor e uma nova faceta do Brasil. E olha que essa faceta é bem distante de São Paulo: só se chega ao Amapá de avião (3,5 horas de Brasília) ou de barco, partindo de Belém (calcule 24h de barco + vôo até Belém e, provavelmente, você vai querer ficar em casa). Toda essa distância fica pequena perto de tudo o que se tem a descobrir no Amapá. Um exemplo disso é que desde que voltei de lá não tiro um recanto amapaense da cabeça: Mazagão Velho. Por sinal, você já ouviu falar de Mazagão? Ouso arriscar que provavelmente não, mas não se preocupe, estamos aqui para isso.

Hoje parte do Município de Mazagão, o povoado de Mazagão Velho deve muito de sua origem à “Guerra Santa”. Em realidade, esse povoado foi fundado há cerca de 240 anos com o objetivo de ser uma réplica da Mazagão Africana, uma cidade ao norte do que é hoje o Marrocos e atualmente conhecida como El Jadida. Mazagão Africana foi uma possessão de Portugal até 1769 quando, em razão das constantes batalhas travadas entre cristãos e muçulmanos no Norte da África, os portugueses desocuparam a cidade.

El Jadida, a Mazagão Africana

Resultado disso? As 340 famílias portuguesas mazaganistas sediadas na Mazagão Africana e seus escravos foram transferidos para Belém do Pará, láaaaa na Amazônia. De lá, parte dessas pessoas foram transferidas para o meio da floresta, nas proximidades do Rio Mutuacá, onde o governador do Grão-Pará e Maranhão determinara a construção da Vila de Mazagão Velho.  De Vila Mazagão Velho passou para Regeneração (1833), para voltar a ser Vila, depois Comarca, depois ser incorporada a Macapá e, em 1915, a Mazagão Nova, como permanece até os dias de hoje.

Na minha opinião, Mazagão Velho já valeria a visita por causa de sua impressionante (e desconhecida) história; mas, para aqueles que ainda não se convenceram, tem mais. A região de Mazagão Velho foi objeto de uma operação de prospecção arqueológica conduzida pela Universidade Federal de Pernambuco, na qual foram encontradas as ruínas da primeira igreja fundada na vila e ossadas de seus primeiros habitantes. Agora, os governos estadual e municipal estão trabalhando para fundar o Museu de História do Mazagão Velho.

Enquanto o museu não fica pronto, uma das principais atrações de Mazagão é a tradicional Festa de São Tiago, realizada anualmente entre os dias 16 e 28 de julho. Uma das mais belas festividades folclóricas do Amapá, a festa é uma homenagem a São Tiago, na qual são encenadas as batalhas entre cristãos e mouros no continente africano. Para saber um pouco mais sobre a festa, os vídeos abaixo são imperdíveis, e para maiores informações sobre sua programação, acesse aqui.

Outro evento em Mazagão que promete é a Festa do Divino Espírito Santo, que acontece dos dias 16 a 24 de agosto. O Domingo do Espírito Santo também é conhecido como Marabaixo de Senhor do Quinto Domingo e coincide com o último dia do ritual do Marabaixo, que começa com o Ramo da Aleluia. O Marabaixo é uma manifestação folclórica do Amapá, trazida por negros e escravos, que homenageia a Santíssima Trindade e o Divino Espírito Santo. Além das danças e das músicas, aproveite para provar a tradicional gengibirra, bebida feita com cachaça e gengibre.

Última informação importante: Mazagão fica a apenas 36km de Macapá na rodovia AP-030. Você pode ir de carro, mas a melhor mesmo opção é ir de ônibus (para saber os horários ligue na Rodoviária de Macapá: 96 3251-2009). Fui e voltei no mesmo dia para Macapá, por isso não tenho sugestões de hotel. Depois de muito vasculhar a rede, encontrei menção a dois hotéis em Mazagão: Pousada Ecológica Maraca (Rio Maraca – 5 Cachoeira, Vila Maraca, Mazagao – AP) e Hotel Mazagão (Av Presidente Vargas, Centro, Mazagao – AP). Infelizmente, não consegui telefone ou quaisquer informações com relação a esses hotéis, então não os tomem como recomendação.

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