Israel: 5 experiências que você precisa viver antes de morrer

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Tenho a impressão de que muita gente associa o destino Israel com uma viagem com fins puramente religiosos. Para os cristãos, a passagem pela Terra Santa é como uma viagem bíblica. Para os judeus, é um encontro com a Terra Prometida. Mas o que pouca gente sabe é que, tanto para os mais devotos, quanto para aqueles com poucas ou nenhuma crença religiosa, ou mesmo para os ateus, uma viagem a Israel pode ser muito diferente disso. Israel pode ser um destino turístico dos mais interessantes.

Já estive lá por três vezes e posso assegurar que passei por experiências incríveis, que eu não poderia ter vivido em nenhum outro lugar.A seguir, as experiências que considero as Top 5 em Israel (não necessariamente nessa ordem). São aquelas que, na minha opinião, você não pode deixar de viver na sua passagem por esse país.

1) Um banho no Mar Morto:

Aos que não sabem, o Mar Morto é o mar (ou melhor, o lago) que possui a maior concentração de sal do mundo (!). Ele banha apenas dois países, Jordânia e Israel, e fica no ponto mais baixo do mundo, a mais de 300 metros abaixo do nível do mar. Pela quantidade de sal na água, poucos são os seres que ali sobrevivem (apenas algumas bactérias e algas). Daí seu nome. O mais incrível é que, por causa da concentração de sal, é impossível afundar nas águas do Mar Morto, o que transforma a experiência de um simples banho de mar em algo muito curioso (e um tanto divertido)!

Por mais que eu procure descrever a sensação que se tem ao entrar nas águas do Mar Morto, ninguém consegue ter a real noção até efetivamente passar pela experiência. É como entrar em uma grande piscina de azeite. Você consegue imaginar? A água é tão densa, tão sólida (por mais contraditório que isso possa parecer), que nem parece água. Confesso que não é algo assim super-hiper prazeroso… Na verdade, você nem aguenta permanecer por muito tempo lá dentro. É vapt vupt! O tempo suficiente para fazer umas poses divertidas para o álbum de fotos e olhe lá. É que um dos problemas é que o sal faz qualquer pequena feridinha ou corte na sua pele arder bastaaaante, o que não é lá muito agradável. Mas, mesmo assim, juro que vale a pena!

E tem mais: turista que é turista tem que passar pelo banho de lama! E, claro, fazer comprinhas de cosméticos produzidos a partir dos sais do Mar Morto para trazer de lembrança (a marca mais conhecida é a Ahava). Se a ideia for desfrutar do clima de spa do passeio, há empreendimentos ali ao redor que oferecem os mais variados tipos de tratamentos.

O melhor é fazer a visita quando o clima não está muito frio, nem muito quente. Da última vez fui em pleno verão e posso assegurar que lá fica quente demaisss! O bom é que nos lugares em que a entrada na água é autorizada existe uma boa estrutura turística hoje em dia. Você pode tomar um banho de água normal ou mergulhar em uma piscina para tirar todo o sal do corpo e dar aquela refrescada depois do banho no Mar Morto.

É importantíssmo seguir todas as orientações que eles te dão antes de entrar na água: nada de tentar mergulhar ou colocar o rosto na água. Cuidado para não deixar cair uma gota de água sequer nos olhos!

Ah, e planeje logo sua visita, pois o nível do Mar Morto tem descido a cada ano que passa

2) Hospedagem em um Kibutz:

Você sabe o que são kibutzim (ou no singular, kibutz)? Em poucas palavras, são comunidades que começaram a surgir em Israel no início do século XX e que vivem essencialmente de forma comunitária. É uma estrutura inspirada na ideologia socialista e que existe apenas em Israel (se tiver curiosidade, veja mais informações aquiaqui). A ideia do movimento era criar um novo tipo de sociedade em que todos fossem iguais e onde não houvesse exploração de um pelo outro.

Para colocar isso em prática, originalmente, as pessoas que habitavam kibutzim não tinham propriedades ou renda própria. Era a comunidade que administrava tudo. O objetivo do kibutz era prover sua própria subsistência e, para isso, todos tinham que trabalhar nas atividades ali desenvolvidas, principalmente na agricultura. As refeições – sempre gratuitas - eram todas feitas em refeitórios comunitários. E até os bebês eram muitas vezes criados em um lugar comum, longe de seus pais.

Ao longo do tempo, contudo, os kibutzim sofreram mudanças profundas. Apesar de ainda existirem mais de 200 kibutzim em Israel, na realidade, a grande maioria deles pouco conserva de sua estrutura e ideologia originais. Se você visitar um provavelmente irá notar que grande parte das características que mencionei simplesmente não existe mais. Hoje as pessoas recebem salários diferentes, têm contas pessoais, casa própria, comem nas suas próprias casas ou em refeitórios pagos.

Mas isso não esvazia, na minha opinião, a experiência de se conhecer um kibutz. É muito interessante entender como ele já funcionou um dia e quais as adaptações que foram sendo feitas com o passar do tempo.

Uma opção que eu recomendo muito é hospedar-se em um kibutz por um ou mais dias. Eu fiquei no Hagoshrim Kibbutz & Resort Hotel (veja o site), mas tenho certeza de que existem várias outras opções (até porque o turismo virou uma das fontes de renda dos kibutzim de hoje em dia). Há inclusive uma rede de hotéis desse tipo: veja aqui.

Ficando lá você tem a oportunidade de conhecer de perto a vida em um kibutz e conversar com as pessoas que moram por lá. É possível até mesmo participar de atividades comunitárias e eventos sociais que eles preparam. Eu achei uma experiência muito bacana!

3) Um passeio pela fortaleza de Massada:

Massada é uma fortaleza a leste do Deserto da Judéia que foi reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 2001. Foi lá que Herodes, o Grande, construiu seu palácio de inverno, a mais de 400 metros acima do nível do mar. O lugar foi descoberto em 1842 e escavado por volta de 1960.

Massada ficou conhecida por ter sido o último reduto dos judeus quando da invasão dos romanos. Sua história é muito emocionante, por ser heróica e trágica ao mesmo tempo.

Depois que os romanos destruíram o Segundo Templo, alguns rebeldes chamados Zelotas fugiram de Jerusalém para Massada. Durante algum tempo, mais de 900 judeus resistiram aos romanos nesse lugar. Só que depois de ficarem acampados na base da montanha por um tempo, os romanos conseguiram construir uma rampa para atacar e destruir a muralha em 73 dc. E então conta-se que os tais rebeldes teriam se suicidado em massa para não serem capturados, mortos ou escravizados.

Eu subi ao topo de teleférico, mas para os mais aventureiros, é possível fazer uma longa caminhada. Pelo caminho da Serpente, são cerca de 45 a 60 minutos (na subida!). Se você tiver a intenção de ver o sol nascer lá de cima (dizem que é lindo!!), só mesmo indo a pé, pois o teleférico só funciona a partir das 8h da manhã. Dizem que o espetáculo de luzes que acontece à noite (de março a outubro) também é lindo.

Veja informações práticas para sua visita aqui e aqui. E veja aqui como chegar lá. Massada fica a uma hora e meia de carro de Jerusalém e a cerca de duas horas e meia de Tel Aviv.

4) O Shabat no Muro das Lamentações:

Como eu já disse antes aqui, Jerusalém é um lugar que você não pode morrer sem conhecer. É uma cidade incrível. Há muito o que se conhecer, especialmente na Cidade Velha, um lugar interessantíssimo.

Dentre suas principais atrações está o Muro das Lamentações, que é o local mais sagrado para o judaísmo (tenha uma vista panorâmica do Muro aqui) e que acaba funcionando como se fosse uma grande sinagoga a céu aberto. Uma experiência que acho imperdível é visitá-lo nos momentos que antecedem o Shabat.

O Shabat é o dia do descanso semanal para os judeus, que vai do pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol de sábado. Para marcar o início desse dia sagrado, os judeus costumam ir à sinagoga e praticar as rezas que marcam essa passagem. Em Jerusalém, nessa ocasião, o Muro das Lamentações fica repleto de gente que se reúne para rezar. Ver aquele mar de gente chegando – desde pessoas mais velhas até crianças, incluindo homens e mulheres – é uma experiência muito interessante, uma energia muito especial.

Diz a tradição que, ao visitar o Muro das Lamentações, você deve escrever um pedido em um papelzinho e colocar entre as fendas do muro. Mas lembre-se que especialmente no Shabat, não é permitido escrever, então é melhor deixar para fazer isso em uma outra ocasião. Além disso, se for acompanhar os momentos que antecedem o Shabat, tome cuidado para não desrespeitar os preceitos desse dia: nada de fotos, cigarros e telefone, por exemplo. Vista-se de forma apropriada, com os ombros cobertos, e quando estiver próximo ao muro respeite a divisão entre homens (à esquerda) e mulheres (à direita).

Veja mais informações sobre o Muro no site oficial (aqui), inclusive aquelas dirigidas aos visitantes (aqui).

5) Uma visita aos jardins persas do templo Bahai:

Por fim, uma visita que me impressionou muito em Israel foi a visita aos jardins persas do templo Bahai, em Haifa (a terceira maior cidade do país, que fica na costa do Mediterrâneo), que também é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, desde 2008.

Primeiro, claro, porque é lindo de morrer!! (basta ver a foto acima) Segundo porque eu nunca tinha ouvido falar nessa religião e fiquei impressionada com o que eles construíram.

Bahai é uma religião monoteísta que surgiu na antiga Pérsia, atual Irã, em meados do século XIX. Os Bahai acreditam que nenhuma religião no mundo tem o monopólio da verdade e pregam a unidade em vários aspectos: unidade das religiões, de Deus, da Humanidade, do conhecimento… E é uma religião independente, com suas próprias leis, seu próprio calendário, e sem clero. Estima-se que a religião Bahai seja praticada por mais de 5 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Veja o site oficial aqui.

Se tiver curiosidade, você pode encontrar informações sobre a comunidade Bahai aqui e um pouco mais sobre a religião aqui. Saiba que há, inclusive, adeptos no Brasil (veja aqui).

Bom, se você ainda não foi para Israel, não deixe de passar por essas experiências! E se você já foi, conte pra gente quais seriam os seus top 5!

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