Cruzando Colômbia e Equador – Parte I – Por Sergio Gresse Jr.

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A Insustentável Leveza de Ser Latino-Americano!

Muitos brasileiros vêm buscando viajar mais pela América do Sul ultimamente, principalmente frente à importante desvalorização do Real perante às principais moedas fortes. O fato é que mesmo com o aumento no interesse, infelizmente ainda não damos o devido valor à nossa região muito provavelmente pelo que mostram os nossos programas de televisão sobre tais países, ou até pelo compreensível medo do desconhecido.

Alguns de nossos vizinhos e adjacentes passaram por momentos delicados no passado, assim como alguns ainda passam. Basta visitá-los ao seu maior nível de profundidade, no entanto, para se provar que a realidade pode ser bem diferente do que vemos nos telejornais, e que realmente ‘o mapa não é o território’. Por isso tudo e algo mais, eu e minha mochila resolvemos experimentar um pouco da real experiência latino-americana ao cruzar dois dos nossos mais emblemáticos vizinhos: Colômbia e Equador!

Pensar em Colômbia e Equador é automaticamente pensar em alguns estereótipos clássicos: Desde os sanguinários Cartéis Colombianos das décadas de 80-90 e seus Narcodólares, até as darwinianas Ilhas de Galápagos, sem contar na dificuldade dos nossos escretes quando atuam “na Altitude de Quito”. Confesso que antes da viagem mesclava um sentimento ambíguo de ansiedade extrema com aquele leve frio na barriga, muito por não saber bem o que iria encontrar pela frente. Muita gente me chamou de louco pra cima por escolher a rota, e principalmente por viajar por ela sozinho. Se pensarmos pela “Definição Netflix” dos lugares, elas até que tinham sua razão.

Cruzei ambos os países de norte a sul, não em sua totalidade por razões óbvias, mas de maneira bastante diversificada. Procurei alternar ao máximo o estilo de viagem – Dos grandes centros até os pequenos pueblos, da costa caribenha à região amazônica; Em Hostels ou Guesthouses, como Couchsurfer ou Hóspede em casa de família.

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Em síntese: Do povo alegre e faceiro, de sorriso fácil e hospitalidade sem igual. Do Vallenato, das Rumbas e das Arepas; Dos Paisas, do aguardiente e da Lulada; Dos Wayuus e dos Tayronas; Do Metrocable e de uma quase Miss!

Bogotá – Cartagena

Iniciei minha viagem em Bogotá, sendo recebido na cidade por amigos e seus familiares. Já tive a prova da simpatia, hospitalidade e receptividade colombiana desde o início. Meu roteiro incluiu todos os clássicos da cidade, tendo Usaquén e La Candelária como favoritos. O primeiro é um bairro como a nossa Vila Madalena, bem conhecida dos paulistanos: Bares, feiras de rua, artistas e muita gente circulando. Já a Candelária enquadra-se como centro antigo e histórico da cidade, conta com uma infinidade de muros muito bem grafitados, arquitetura ímpar e atmosfera única. Bogotá é também conhecida por suas sopas e caldos, sendo o Ajiaco o mais famoso. Cai muito bem com a temperatura amena da cidade!
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Saindo do frio das montanhas, dei inicio à minha passagem pela quente e ensolarada Costa Atlântica colombiana, começando o trajeto em Cartagena de Índias. A cidade é realmente algo fora do comum, especialmente durante a noite, e o grande número de turistas deixa o clima ainda mais divertido. O calor nessa região dura todo o ano e é bastante intenso, por isso uma visita às praias de Baru e Isla del Rosário valem a pena, sendo obrigatório provar o Arroz de Coco com Peixe, prato típico da Costa. Aos finais de tarde, vários grupos de danças folclóricas se apresentam nas praças da cidade amuralhada e são muito bonitos de se ver. Um copo de limonada com coco e uma viagem em paralelo a Macondo acompanham muito bem.

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Tayrona – La Guajira

Seguindo a rota em direção a leste pela costa atlântica, cheguei a Santa Marta para visitar o Parque Nacional de Tayrona. Trata-se de uma reserva florestal praticamente intocada, com praias exuberantes de ondas fortes e algumas piscinas naturais. Existem vários micro-ônibus que saem de hora em hora de Santa Marta até El Zaino (Entrada do parque). Fiquei hospedado dentro do parque em uma Guesthouse chamada Jasayma, propriedade esta que conta com 2h de eletricidade por dia, possui vários tipos de aves soltas em convivência e comida caseira de primeira. Foi o lugar das noites mais silenciosas e estreladas que já tive na vida! Estando dentro do parque, fiz trilhas até El Cabo, Los Naranjos, Rio Don Diego, Palomino, Guachaca e Cañaveral.

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Da exuberância da vida em Tayrona, cheguei ao extremo leste da costa caribenha, em Cabo de La Vela – La Guajira. Beirando a fronteira com a Venezuela, a Guajira é uma região que vive com poucos recursos, é ainda pouco visitada, extremamente bonita, inóspita e de muitos contrastes. Os locais de hospedagem são extremamente simples, dorme-se em redes na beira da praia, os banhos são com no máximo 20 litros de água, e os frutos-do-mar são espetaculares. É também o local dos Wayuus, um dos principais grupos indígenas colombianos ainda existentes. Quase toda essa região da Guajira é coberta de semi-árido banhado pelo mar do Caribe, caracterizando o clima único de Cabo de La Vela. Não recomendo a visita só por toda a beleza, mas também pela experiência de vida que se tem ficando uma noite por lá.

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Voltando de Cabo de La Vela em direção novamente a Santa Marta, ainda dentro da Guajira, passei por cidades incríveis como Riohacha e Manaure, bastante conhecidas no país pela sua produção de sal para consumo interno e exportação.

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Medellín – Guatapé

Voltando da costa novamente em direção às montanhas, cheguei a Medellín. Das maiores cidades colombianas visitadas, a capital da Antióquia é de longe a mais viva e incrível de todas. Dona de um passado e fama ímpares por grande influência do Cartel que levava seu nome, representado pela figura do seu “Patrón” Don Pablo Escobar e sua Hacienda Nápoles, impressiona o quão seguro e bem recebido é possível se sentir andando hoje em dia pelas ruas da capital Paisa. E é isso que se deve fazer por lá: Caminhar! É possível percorrê-la a pé, de bicicleta, ou pelos organizadíssimos Metrô e Metrocable.

Foto MetroCable

Medellín é também a Meca da arquitetura e urbanismo do país, com parques planejados, bibliotecas públicas, ciclovias integradas a transportes coletivos, e investimentos altos em educação e projetos sociais. Por ser também a cidade do grande artista plástico Fernando Botero, muito se encontra dele pela cidade. Das atrações imperdíveis e da gastronomia, fazer Parapente, dar uma volta noturna pela região do Parque Lleras e comer uma Bandeja Paisa após uma longa caminhada são mandatórios. Se eu moraria em Medellín? Não me pergunte duas vezes.

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Ainda dentro do estado de Antióquia, a cerca de 1h de Medellín está a cidade de Guatapé. Trata-se de uma região de lagos muito bonita e com vista privilegiada após a escalada dos 777 degraus da Pedra El Peñón. Vale uma esticada até lá para almoçar, andar nos tuk-tuks, e até praticar esportes náuticos dentro das lagoas.

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Cali – Popayán – Ipiales

Da cidade da eterna primavera ao calor do Vale do Cauca, cheguei em Cali para iniciar minha travessia ao sul da Colômbia rumo à fronteira com o Equador. O epicentro colombiano da Salsa e da Lulada é bastante intenso e de pessoas extremamente simpáticas.  Aos amantes da dança e de festas latinas, Cali é parada obrigatória. Fiz este e outros trechos internos mais longos de VivaColombia, a cia aérea low cost colombiana. Voos entre incríveis R$ 40,00 – R$ 70,00!

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Viajando desde Cali ao sul, cheguei à região do Cauca para visitar Popayán. A “Ciudad Blanca” é pequena e muito bonita justamente por tal característica. Todas suas casas, igrejas, estabelecimentos e comércios são pintados de branco desde a época colonial espanhola. Tive ainda a sorte de chegar à cidade em Dia de Reis, presenciando uma enorme festa de danças tradicionais e comidas típicas. De longe uma das cidades colombianas mais simpáticas e charmosas pelas quais passei!

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Após minha estadia em Popayán, segui ainda mais ao sul e cheguei a Ipiales, já na região de Nariño. Esta é a ultima cidade colombiana antes da fronteira com o Equador e local de uma das atrações mais incríveis de todo o país: A Catedral de Las Lajas. Apesar de ser considerada a segunda maravilha da Colômbia, perdendo apenas para a famosíssima Catedral de Sal de Zipaquirá, esta me agradou muito mais do que a prima famosa de Cundinamarca. Trata-se de uma Igreja construída sobre um rio entre as pedras, sendo suspensa pelo vale. É possível fazer trilhas nos arredores para chegar aos mirantes com vistas espetaculares do santuário por todos os lados. Por ser uma região distante da capital e dos grandes centros, além do difícil acesso, menos turistas estrangeiros visitam a cidade. Mesmo assim, havendo tempo e oportunidade, o esforço é recompensado.

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No dia seguinte à visita da Catedral, acordei bem cedo e fui até o posto imigratório de Ipiales para cruzar a fronteira e chegar a Rumichaca, já em solo equatoriano. A travessia foi feita a pé e de maneira tranquila. O controle de passaportes de ambos os lados foi rápido e sem qualquer tipo de problema. Apenas jornalistas de formação às vezes enfrentam uma dorzinha de cabeça a mais no lado equatoriano. Como bom bioquímico, tive passe livre.

[deixamos a parte sobre o Equador para um próximo post, veja aqui]

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