Córsega e Sardenha: as praias mais paradisíacas da Europa estão aqui (pode acreditar!) – Por Patrícia Lamaneres

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Estive nessas duas ilhas do Mediterrâneo recentemente e, de tão maravilhada (e ansiosa por ajudar a divulgar esses dois destinos ainda pouco explorados pelos brasileiros), me inspirei a escrever este post.

Antes de mais nada: sim, estamos falando de dois países diferentes. Embora muito próximas, cada uma das ilhas pertence a um país diferente; a Sardenha à Itália, a Córsega à França.

Como o acesso de uma à outra é realmente fácil, a pé ou mesmo de carro/moto (e para brasileiros não há restrição de visto), o ideal é aproveitar uma mesma viagem e conhecer as duas. Se isto não for possível (ou mesmo se não for o seu plano), não tem problema: as dicas a seguir estão separadas para cada uma delas. Inspire-se você também com as imagens e dicas a seguir e aproveite!

Sardenha

O que você vai encontrar.

•     Poucos brasileiros e muitos, muitos turistas italianos. A Sardenha ainda é um destino predominantemente doméstico. Portanto, falar um pouco de italiano ajuda; mas não se preocupe: a comunicação em inglês, embora nem sempre fluente, com a simpatia dos locais se torna super viável.

•     Muita comida excelente. Não perca a chance de provar o queijo pecorino sardo, o vinho vermentino, os culingioni (massa parecida com o ravióli, recheada com pecorino), os malloredus (massa em forma de conchinhas, servida com ragu de lingüiça) e a bottarga (o caviar sardo).

•     Vestígios de uma civilização única, a nurágica, à qual pertencem diversas casas e torres feitas com blocos de pedra, presentes em toda a ilha.

•     Praias absolutamente incríveis, com areia branca (um grande diferencial em se tratando de praias europeias!) e águas quentinhas.

Como chegar. Comece deixando de lado seus possíveis “pré-conceitos”: a Sardenha é bastante fácil de chegar. Há três aeroportos na ilha, localizados em pontos estratégicos (Olbia, ao norte; Cagliari, ao sul; e Alghero, a oeste). A lowcost Easyjet oferece voos para todos eles partindo de diversas cidades da Europa. Também é possível chegar a bordo de ferries (operadas por diversas companhias, dentre elas a Moby) vindas de diversas cidades da Itália e também da Córsega.

Como se locomover. A melhor forma de se locomover na ilha é de carro, por três razões. A primeira, porque há muitos lugares e praias para explorar em cada região e, para extrair o máximo da sua visita, o ideal é poder se locomover entre vários lugares em um mesmo dia. A segunda, porque o transporte público é relativamente precário (é bem possível que, por exemplo, você acabe demorando um dia inteiro para ir do aeroporto até o seu hotel). A terceira, porque as estradas (sinuosas, mas em ótimo estado) são repletas de mirantes com paisagens incríveis e, acredite, você vai querer ir parando em vários deles no caminho – seja para tirar aquela fotografia, seja para simplesmente contemplar a vista.

A Europcar possui postos de retirada e devolução de veículos em todos os aeroportos da Sardenha e oferece descontos para clientes Easyjet. Você pode entrar no clima italiano e alugar um econômico e charmoso Cinquecento, como eu fiz! J

Como explorar a ilha. Recebi este conselho de um amigo e, chegando lá, constatei que, realmente, a melhor forma de explorar a Sardenha é por região. Estabeleça uma base de alguns dias (3 ou 4) em cada região e pé na estrada, especialmente se estiver de carro.

•    Ao sul. Uma boa base é Cagliari, uma cidadela com ares medievais que oferece toda a infraestrutura necessária para uma boa estadia. A Residenza Kastrum, operada pelo simpático Michele, oferece acomodação muito bem localizada e preço razoável (sem contar as várias dicas que o Michele está sempre disposto a dar aos hóspedes). Os restaurantes típicos Sa Domu Sarda (Via Sassari, 51) e Antica Hostaria (Via Cavour, 60) são do tipo que vai fazer você querer voltar duas noites seguidas. De lá, explore, em dias diferentes, as regiões de Villasimius, Chia/Domus de Maria e Iglesias.

•    A leste. Você pode explorar essa região quando estiver fazendo seu deslocamento do sul para o norte da ilha, passando pela Reserva Natural de Gennargentu. O ponto alto é a região de Cala Gonone. No porto, faça um passeio de barco (há diversas empresas que operam com saídas em horários regulares na alta temporada, várias vezes ao dia) até a Grotta Bue Marino (que, além de ser o antigo habitat de uma espécie de foca já extinta na região, abriga formações impressionantes de estalactites e estalagmites), seguindo depois para a remota praia Cala Luna.

•    A oeste. A principal cidade a oeste é Alghero. Você pode fazer dela uma base ou visitá-la estando baseado no norte da ilha, como eu fiz. Aqui, o imperdível mesmo é o pôr do sol (que acontece no mar o ano todo) e o restaurante Al Tuguri (Via Maiorca, 113), uma combinação irresistível de uma estrela Michelin e preços muito convidativos – experimente a famosa aragosta all’araghese (lagosta à moda local, fresquíssima, servida aberta e temperada apenas com azeite, vinagre e sal), o cordeiro com molho de hortelã e, de sobremesa, a crema catalana (versão catalã do creme brulée).

•    Ao norte. O norte abriga a região mais famosa da Sardenha, a Costa Smeralda (em feliz analogia à cor do mar), reduto de verão de diversas celebridades. Mas não se assuste! Apesar da pompa, a área conta com ótimas acomodações mais lowprofile a preços bem razoáveis, assim como restaurantes. Reservar um dia para um passeio de barco pelo Arquipélago La Maddalena é obrigatório. Os barcos saem pela manhã do porto de Palau e vão fazendo paradas (com mergulhos permitidos!) pelas diversas ilhas do arquipélago. Conhecer o extremo norte da ilha, na península de Istintino, também é imperdível. Faça da deslumbrante Praia La Pelosa o seu destino final e aproveite as vistas no caminho até lá. E na Costa Smeralda propriamente dita não deixe de conhecer a Spiaggia Del Principe! Para jantar, vá um dia ao restaurante Lu Stazzu, próximo a Porto Cervo, e saboreie o tradicional porcetto alla brace (leitão na brasa).

Córsega

O que você vai encontrar.

•     Poucos brasileiros e muitos, muitos turistas franceses. A exemplo da Sardenha, a Córsega também ainda é um destino predominantemente doméstico. Ao contrário da Sardenha, porém, o domínio da língua local é razoavelmente importante… poucas pessoas falam inglês e a comunicação é um tanto difícil para quem (como eu) não sabe nada de francês.

•     Muita história e muito nacionalismo. A Córsega é, por exemplo, a terra natal de Napoleão Bonaparte. Os corsos, no entanto, parecem dar pouca importância para o baixinho… a grande personalidade histórica, para eles, é o italiano Pascal Paoli, que liderou no século XVIII uma revolução que culminou em um breve período de independência da Córsega.

•    Ótima comida, com destaque para uma infinidade de vinhos rosés deliciosos, muito queijo de cabra (em várias apresentações) e uma série enorme de embutidos suínos – além, é claro, de uma grande variedade de mostardas e foie gras (estamos, afinal, na França!).

•    Lojas e mais lojas vendendo facas, com cabos estilizados, como souvenir. Muitas delas com a inscrição “vendeta” (vingança)!

•     Praias absolutamente incríveis, com areia branca e águas quentinhas.

•    Muitos pontos para fazer escalada e outros esportes radicais do gênero, com vistas deslumbrantes.

Como chegar. a Córsega também é bastante fácil de chegar. Há quatro aeroportos, localizados em pontos estratégicos (Figari, ao sul; Ajaccio, a sudoeste; Calvi, a noroeste; e Bastia, a nordeste). A exemplo da Sardenha, para a Córsega a Easyjet também oferece voos partindo de diversas cidades da Europa, além de ser possível chegar a bordo de ferries (operadas por diversas companhias, dentre elas a Moby e a Corsica Ferries) vindas de diversas cidades do sul da França e também da Sardenha.

Como se locomover. Aqui também a melhor forma de se locomover é de carro, e pelas mesmas razões que mencionei em relação à Sardenha. Também aqui a Europcar possui postos de retirada e devolução de veículos nos aeroportos e nas principais cidades e oferece descontos para clientes Easyjet. Uma observação, porém, em relação às estradas: dirigir na Córsega não é especialmente difícil ou perigoso, mas requer cuidado. As estradas, além de sinuosas, em muitos casos estão em estado de conservação que deixa bastante a desejar… Prepare-se para enfrentar diversos estreitamentos, curvas fechadas, buracos e, ocasionalmente, desviar de bandos de bodes, bois e porcos que invadem a estrada…

Uma dica sobre aluguel de carros: se você estiver vindo de/para a Sardenha, o custo da locação pode aumentar se você pretender devolver o carro na Córsega, por se tratar de outro país. O trajeto de ferry entre as duas ilhas é feito entre as cidades de Bonifácio (Córsega) e Santa Teresa di Gallura (Sardenha). Em ambas, muito próximo aos portos, há lojas de várias locadoras de veículos. Você pode devolver o carro na mesma ilha em que o houver alugado e pegar um novo, no porto de destino, sem complicações e economizando alguns bons euros!

Como explorar a ilha. O ideal, assim como na Sardenha, é explorar a ilha por regiões. Como, no entanto, as condições das estradas nem sempre são as melhores, ficar “pingando” em várias acomodações evita que você passe duas vezes por trechos muitas vezes incômodos de estrada (ida e volta, caso você opte por ficar baseado em um local e fazer day trips).

•    Ao sul. Bonifácio é a cidade aonde chegam as ferries vindas da Sardenha. Cercada por muralhas e situada no alto de uma montanha, a cidade tem um centro histórico e um porto extremamente charmosos, além de vistas de tirar o fôlego. Não deixe de fazer o passeio de barco pelas Îles Lavezzi (várias empresas operam no porto, com saídas várias vezes ao dia e em horários regulares na alta temporada). Para comer, os restaurantes Kissing Pigs (no porto) e Stella D’Oro (no centro histórico; 7, rue Doria) oferecem pratos típicos deliciosos, como a berinjela à moda local e o ravióli recheado com queijo de cabra típico.

Ainda ao sul, está a imperdível baía de Santa Giulia – onde é possível se hospedar, se você estiver disposto a gastar uns euros a mais e acordar com a vista da baía (caso do exclusivo hotel Moby Dick).

•    No centro. No coração da Córsega está Corte, cidade natal de Napoleão Bonaparte. Embora os corsos não sejam seus grandes entusiastas, a cidade merece uma vista, sobretudo se você estiver fazendo seu caminho de carro em direção ao noroeste da ilha. Se estiver por lá no horário do almoço ou jantar, aproveite e conheça o restaurante U Museu (Rampe Ribanelle, Vieille Ville), seguindo depois para um passeio pela casa onde nasceu o imperador francês, a poucos metros dali.

•    A noroeste. Aqui, as cidades de Porto e Calvi merecem a sua visita. Na primeira, os passeios de barco pelas Calanches de Piana e pela Reserva Natural da Girolata são imperdíveis (barqueiros e pequenas agências localizadas no porto fazem esses passeios diversas vezes ao dia na alta temporada) e revelam paisagens incríveis. Na segunda, aproveite o charme desta cidade litorânea tipicamente francesa, repleta de boulevards com sorvetes deliciosos (e em porções enormes!). Na cidadela murada situada no alto da cidade, aproveite as vistas sobre o mar e faça uma parada no restaurante A Candella (Citadelle, 20260) para um jantar romântico e à luz de velas, com vista panorâmica para o golfo e comida excepcional.

Se estiver de carro, a pequena cidade de Sant Antoninu merece uma visita. Situada em um dos pontos mais altos da cadeia montanhosa que domina boa parte da paisagem local, esta minúscula e simpaticíssima cidadela medieval oferece lindas vistas, das montanhas até o mar. Para um almoço pitoresco, o restaurante familiar A Stalla é uma excelente pedida (com sorte, você come de sobremesa um creme bruléé feito pela vovó da família, que ajuda na cozinha!).

•    Ao norte. São inúmeros os mirantes com vistas espetaculares que você vai encontrar se, como eu, decidir ir de carro de Calvi até Bastia (de onde peguei meu voo de volta). Depois de uma competição acirrada, elegi as praias de Marina de Davia e Farinole as mais bonitas (mas as demais não deixam por menos e, com certeza, quem discordar não estará errado!).

Convidado
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