Conhecendo uma tribo Masai na Tanzânia

Masai_Tanzania


Uma das experiências mais interessantes e enriquecedoras da minha última viagem à África foi conhecer uma tribo Masai na Tanzânia. Ver de perto a forma como eles vivem, como se alimentam, se vestem, se cuidam, seus costumes e crenças, foi algo que me fascinou. Eles têm um jeito de viver a vida que é simples, primitivo, genuíno e lindo de se ver.

Os Masai (ou Maasai) são uma tribo africana que habita partes do norte da Tanzânia e do sul do Quênia. É um povo semi-nômade, de estatura alta e em que os homens são educados e formados para serem verdadeiros guerreiros. Eles são conhecidos por sua vestimenta: um pano, normalmente vermelho, chamado Shuka.

Eles vivem em constante movimento, sempre em busca de sua sobrevivência (basicamente, carnes frescas e água). Movem-se de um lugar para outro, por quilômetros e quilômetros, levando sua família, seus poucos pertences e seus animais.

O gado é sua primeira fonte de alimentação e deve ser bem protegido dos animais selvagens (como leões). Por isso os Masai carregam lanças por onde andam. Eles não apenas aproveitam a carne e o leite do gado, mas também bebem o sangue dos bichos. Confesso que achei isso bem esquisito, mas eles nos garantiram que é bom, faz bem pra saúde e deixa os guerreiros ainda mais fortes.

É costume haver negociações e trocas de alimentos entre tribos Masai. A moeda utilizada é normalmente o próprio gado.

É uma sociedade patriarcal, onde a maior parte das decisões é tomada pelos homens mais velhos.

Enquanto a caça e a proteção do rebanho são tarefas atribuídas aos homens da tribo, as mulheres são responsáveis por cozinhar, construir as casas e fazer o fogo. Além disso, enquanto os homens devem esperar o tempo passar, até que fiquem velhos e possam casar, as mulheres podem se casar desde jovens.

A riqueza e o poder de um Masai são medidos pelo número de bois e vacas que tem, além do número de filhos. Um sinal de força para os Masai é saber pular alto. Há competições na tribo para ver quem é o melhor.

As habitações são extremamente simples, feitas com os materiais disponíveis, como gravetos, grama, lama, esterco e cinzas.

Não há janelas nem chaminés. Achei meio sufocante entrar nelas, pois são escuras, com teto baixo e cheias de fumaça. Eles acendem o fogo para se aquecer durante a noite mas o sistema de ventilação é precário, quase inexistente. Além do fogo, eles usam peles de animais no chão para aquecer.

Os ritos de passagem infelizmente incluem circuncisão feminina, o que eu particularmente abomino. Acho triste como ainda pode existir isso no mundo…

A parte boa é que cada vez há mais ativistas que defendem que a circuncisão feminina é uma mutilação e deve ser banida. Em alguns lugares, inclusive, ela tem sido substituída por uma cerimônia com cantos e danças, em que a circuncisão é simbólica apenas, feita “com palavras”.

Casamentos são arranjados e a poligamia é permitida (mas o homem deve ter gado suficiente para manter suas mulheres e filhos).

Não há, claro, eletricidade nem água corrente. Assim, quando o alimento e a água chegam ao fim, os Masai precisam partir para outras terras.

Seu idioma é o maa, mas muitos deles também aprendem swahili e até inglês.

Infelizmente, por conta do estilo de vida adotado pelos Masai, a taxa de mortalidade infantil é alta.

Não há costume de enterrar as pessoas mortas, que são simplesmente deixadas para trás para que a própria natureza (ou melhor, as hienas e outros animais selvagens) faça seu trabalho.

Visitar uma tribo Masai, na Tanzânia ou no Quênia, acabou se tornando um programa turístico ao longo dos anos. As tribos normalmente recebem seus visitantes com uma dança de boas vindas e um guia é designado entre eles para mostrar o local, as habitações, e explicar um pouco sobre seu modo de vida aos visitantes.

Acontece que muitos turistas vinham tirando proveito comercial e financeiro dessa oportunidade, ou seja, visitavam a tribo, deixavam uns trocados/gorjetas, e depois faziam muito mais dinheiro vendendo cartões postais, livros e álbuns de fotografia etc., sem que os Masai pudessem tirar qualquer proveito ou benefício disso. Por essa razão, as tribos começaram a cobrar a visita, o que me parece muito justo (claro que os valores cobrados variam e estão sujeitos a alguma negociação).

Vi alguns turistas americanos levando sacos de balas e doces para as crianças da tribo. Parece ser um costume bastante comum entre turistas de alguns países. Eu, sinceramente, acho errado. Os Masai são um povo com uma estrutura e higiene bastante precárias para lidar com cáries e outros malefícios que alimentos dessa natureza podem trazer às crianças. Na minha opinião, se você quer fazer um agrado além do dinheiro, priorize alimentos saudáveis. Ou, ainda, compre artesanato e bijuterias feitos pelos Masai, para incentivar e valorizar seu trabalho.

Ao longo de nossa viagem pelo Quênia e pela Tanzânia conhecemos muitas pessoas com origem Masai. Em muitos casos, alguns filhos da família tiveram a oportunidade de frequentar a escola fora da tribo, enquanto outros permaneceram sua vida toda na aldeia. Contaram-nos que aqueles que vão à escola normalmente acabam abandonando os costumes originais da tribo, e que a tendência é que isso ocorra cada vez mais (até por isso, se você quiser ter a experiência de conhecer uma tribo Masai, recomendo que vá logo!). Os que abandonam os costumes e acabam se assimilando às comunidades locais costumam questionar: por que devemos beber o sangue do animal? Ou por que devemos ter mais de uma esposa? E assim por diante.

Gostaram? Eu achei uma experiência enriquecedora, daquelas que nos fazem valorizar tudo o que temos e refletir sobre como a vida pode ser mais simples do que normalmente achamos.

Veja aqui e aqui meus outros posts sobre minha última viagem à África.

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