15 dicas para sobreviver a um relacionamento a distância

Reunion

Antes de mais nada, algumas ressalvas importantes: não sou formada em psicologia, nem estudei nada parecido. O que vou dizer aqui carece de comprovações científicas. A única coisa que posso afirmar é que tenho alguma experiência quando o assunto é namoro a distância. Trago no meu currículo quase 3 anos de ponte-aérea Brasília/São Paulo e mais 1 ano entre São Paulo e Boston. Como meu relacionamento sobreviveu a esses desafios (já são quase 10 anos juntos!), me sinto no direito de dividir com vocês algumas dicas a esse respeito. Não se iluda: não se trata de uma receita que se aplique a qualquer caso e a todas as pessoas. A ideia é apenas tentar te ajudar a lidar com esse bicho de sete cabeças que é o relacionamento a distância. Vamos lá!

Conheço muitas pessoas céticas sobre o assunto. Gente que acha que não importa o esforço que se faça para manter a relação, ou os sentimentos do casal, esse negócio de namorar de longe é pura balela, coisa de comédia romântica, que só dá certo em filme americano. Calma lá. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

De fato, não acho que todo relacionamento tem chance de dar certo nessas circunstâncias. Mais do que isso. Não acho nem que todo relacionamento deva dar certo quando se tem um oceano (ou alguns kilômetros) separando o casal. Em muitos casos, a distância é justamente uma prova de que aquela relação nunca funcionaria mesmo. Por isso, antes da partida, eu recomendo: sejam sinceros e perguntem a vocês mesmos se vocês querem que o relacionamento sobreviva. Os dois têm que querer. E muito. Se não, não vale a pena sofrer à toa.

Um relacionamento de longe traz muitas dificuldades. Não é nada fácil lidar com as saudades (sabe aquela palavrinha que só existe em português, mas que o mundo todo já sentiu arder no peito?), nem com o ciúmes (sabe aquele que a gente não consegue controlar, que pode dar uma angústia danada?), nem com a carência (sabe aquela história de que a carne é fraca, de que ninguém é de ferro?). Não é fácil, mas eu acredito que é possível sim aprender a lidar com todos esses sentimentos. Desde que exista dedicação (e paciência) de ambos para manter a relação.

A maior dificuldade de todas, na minha opinião, é conseguir fazer com que o casal não perca a sintonia. E pra mim esse é o melhor termômetro para saber se, no fim das contas, isso tudo vai dar certo ou não. Quando um fica totalmente alheio à vida do outro, quando o casal deixa de trocar experiências, sensações, impressões, angústias, boas e más notícias… é aí que a coisa complica. Acho que as pessoas costumam confundir distância física com distância afetiva. Uma coisa pode não ter nada a ver com a outra. Você pode morar a quilômetros de distância de uma pessoa, ou passar anos sem vê-la, e mesmo assim manter um nível de proximidade fundamental para que a relação dê certo.

Agora, tudo tem limite, claro. Como a relação a distância traz algumas limitações que favorecem a perda de sintonia entre o casal (por exemplo, os dois não se veem ou se falam com uma periodicidade que permita manter essa troca constante), também é importante saber dosar. Ou seja, conseguir manter a sintonia sem fazer questão de controlar a vida do outro a todo momento. Vejo muitos casais que pecam nesse quesito. Um vai morar um tempo fora, o outro fica aqui, e este fica tentando viver como se estivesse lá. Sabe quando a pessoa fica tentando controlar os passos de quem está a milhares de quilômetros de distância? Pra mim, isso não só é impossível, como é muito chato e pode desgastar bastante a relação.

E é aí que entra um elemento fundamental para o relacionamento a distância (e qualquer outro, claro!) dar certo: a confiança. É simplesmente impossível funcionar quando não se tem a mínima confiança no outro.

Bom, falei um monte de clichê e não disse nada, né? (pelo menos nada que você já não soubesse…) Pois então, pra sair um pouco desse blablablá, aqui vão 15 dicas práticas que podem te ajudar a acertar a receita do seu bolo! Elas servem, basicamente, para tentar aliviar as saudades, controlar o ciúmes, amenizar a carência e manter a sintonia, sem exagerar no controle:

1) Veja qual é o meio de comunicação que funciona para ambos. Vocês precisam encontrar uma forma de se comunicar que não seja desgastante nem para um nem para outro. Hoje as opções são muuuuitas (Skype, Facetime, Nextel, Embratel, tablets…) e é bastante provável que vocês encontrem algo que funcione bem para os dois. Veja aqui algumas dicas (inclusive nos comentários dos nossos leitores!). Pense que somos muito sortudos em viver na era digital e não ter mais que esperar meses ou semanas para uma carta chegar…

2) A periodicidade com a qual vocês vão se falar também precisa funcionar para os dois. E as expectativas não podem ser muito diferentes (tipo um querer conversar 3 vezes por dia e o outro 1 vez por semana). É bom já discutir isso antes para não ter problema. Aqui é importante levar em conta também o fuso-horário, que pode dificultar um pouco as coisas.

3) Sempre que possível, já deixem o próximo encontro agendado com antecedência. Ter um encontro em vista certamente diminui a ansiedade e faz com que a despedida seja mais suportável. Eu acho que uns 2 ou 3 meses são a medida certa para não passar do ponto!

4) Se você é quem fica, ocupe-se!!! Ocupe a mente e o corpo. Tenha uma rotina agitada. Mergulhe no trabalho. Faça um curso (pode ser um novo idioma, ou aquele curso de fotografia ou de arte que você sempre quis fazer mas nunca achou tempo). Crie um hobby. Faça exercícios físicos. Saia com os amigos. O negócio é que, pelo menos no início, normalmente é mais difícil para quem fica, pois a vida continua a mesma, as pessoas ao seu redor continuam iguais, exceto pela companhia daquela pessoa que você tanto gosta e que está longe. Por isso os amigos, os hobbies, as atividades físicas e o trabalho (ou estudos) costumam ser aliados fundamentais nesse momento!

5) Não vire uma pessoa antissocial. Sabe aquele(a) seu(sua) amigo(a) que deixa de ir a um happy hour ou a uma sessão de cinema porque marcou de falar com o(a) namorado(a) no Skype? Não faça isso! Não deixe de viver sua vida.

6) Essa é difícil, eu sei, mas evite ficar imaginando e pensando o que ele ou ela está fazendo exatamente neste momento, com quem está etc. Isso só alimenta sensações ruins e pode virar paranóia.

7) Tente ver o lado bom de ter mais tempo para você (tudo tem um lado bom!). Sempre tem alguma coisinha que você acaba abrindo mão de fazer quando estão juntos, não tem? Pense que assim você vai poder passar quanto tempo quiser no cabeleireiro, ou assistir àquela série na TV que ele(a) não gosta de ver, ou mesmo assistir a um jogo de futebol no estádio ou tomar um chopp com aquela turma que seu(sua) namorado(a) não curte muito.

8 ) Aproveite a situação para aprender a ficar sozinho(a) em alguns momentos. É importante ter a sensação de que a sua própria companhia te basta. Pode ser um grande aprendizado.

9) Não seja egoísta e lembre-se sempre de que se não está sendo fácil para você, provavelmente também não está sendo fácil para ele(a).

10) Cultive sua auto-estima. Sem ela, a insegurança vem com tudo. E com ela, a desconfiança, o ciúmes bobo, os descontroles, a paranóia…

11) Todos os relacionamentos envolvem algumas discussões e desentendimentos. É natural (aliás, costumo desconfiar dos casais que não brigam nunca). Mas, quando se está perto, é muito mais fácil chegar a um consenso, fazer as pazes, dar aquele abraço e as coisas ficarem bem de novo. De longe, isso fica mais difícil, e é normal que a gente transforme discussões bobas em big issues. Tente não deixar isso acontecer, pois acaba desgastando a relação.

12) Já que vocês têm poucas oportunidades para ficar juntos, tente fazer com que esses momentos sejam agradáveis. Releve discussões bobas. Aproveite intensamente. Valorize.

13) Por outro lado, quando ficamos muito tempo longe do outro, é normal ficar imaginando que o reencontro vai ser como uma cena de filme, daquelas em que o mocinho e a mocinha se beijam, se abraçam e vivem felizes para sempre. Só que a vida real não é bem assim. Os desentendimentos vão continuar, aquela pessoa ainda vai ter aqueles defeitos que te incomodam, ou aquelas manias que te irritam. Então não adianta pensar que tudo vai ser perfeito em todos os reencontros. Assim você certamente vai se frustrar.

14) Uma dica que ouvi de uma amiga de uma amiga (isso mesmo) e que achei muito legal é procurar marcar um jantar bacana toda vez que o casal se reencontra. Pode ser uma coisa diferente em casa mesmo, ou em um restaurante legal, mas que sejam só os dois (sem a família ou os amigos no meio). Que seja um momento só de vocês, com um clima gostoso, como que uma comemoração do reencontro, e ao mesmo tempo uma forma de um ir se (re)acostumando com o outro.

15) Por fim, para dar certo, é importante que os planos de morar longe façam parte de um plano maior do casal, de um plano de vida a dois. Isso facilita muito as coisas. Por exemplo, se um é transferido para uma filial da empresa onde trabalha, a decisão de se manter a relação assim mesmo pode fazer parte de um plano de garantir um futuro melhor para os dois.

O negócio é que, de longe, a gente sente falta do abraço, do calor, do beijo, do colo, da risada, do cheiro. Não tem muito jeito de evitar. Mas o relacionamento a distância, como disse no início, é um ótimo termômetro para se avaliar se a relação vale mesmo a pena ou não. Deem uma olhadinha nesse texto aqui. Como a autora diz, esse tipo de relação serve para nos mostrar como o outro é importante, para mostrar como pequenas coisas fazem falta, para nos fazer prestar mais atenção no outro, para “mostrar o que é de verdade”.

E, afinal, o namoro a distância traz uma emoção a mais na vida da gente. Quem nunca namorou a distância não sabe como é a sensação do reencontro. É bom demais!!

Se você tiver mais dicas, qualquer comentário, ou simplesmente quiser relatar a sua experiência no assunto, não deixe de compartilhar com a gente!

Obs.: Agradecimentos especiais à minha amiga Taissa, que me deu algumas das mais valiosas dicas acima (e que está cada vez mais aprimorando suas qualificações e preenchendo seu currículo nessa matéria). E também à minha amiga Camila, que me permitiu usar algumas das imagens acima (que foram por ela cuidadosamente selecionadas para o seu blog).

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