Imagino que para algumas pessoas, a Irlanda do Norte esteja associada a atentados terroristas, IRA, exércitos radicais, confrontos civis, dentre outros adjetivos (ou substantivos) bélicos. Se esse é o seu caso, está na hora de rever seus conceitos.
Pois saiba que a Irlanda do Norte é simplesmente incrível. E Belfast, a capital do pais, é extremamente agradável e, acredite, segura! De quebra, suas ruas contam uma história que valem cada quilômetro rodado.
Como chegar: há muitas opções diárias de vôos de Londres a Belfast, com duração de pouco mais de 1 hora. Sugiro consultar o site do Momondo para as melhores e mais baratas opções para vôos pela Europa.
Porém, se você estiver com tempo, sugiro (e muito!!) ir dirigindo até Belfast de algum ponto por perto, seja da Inglaterra, da Escócia ou da República da Irlanda, para apreciar uma paisagem que só encontrará naquela região. Para chegar à ilha, o mais fácil é ir até a cidade de Stranraer, na Escócia, e pegar um ferry. Os preços variam dependendo do horário, mas saem, em media, 100 libras por pessoa. Verifique aqui os horários e preços. O travessia leva em torno de 2 horas e meia.
Onde Ficar: há muitos hotéis bons em Belfast. Fiquei no Benedicts Hotel. Ele é muito bem localizado, confortável e, melhor, paga-se a diária com uma nota só (= barato). O café da manhã é uma delícia, coisa rara pela região. O único inconveniente, pelo menos para pessoas mais reservadas (lê-se bodiadas) como eu, é o bar-balada no andar térreo do hotel, um tanto quanto barulhento. De qualquer forma, quando for procurar um hotel em Belfast, sugiro escolher a região de Shaftesbury Square, com ótimos restaurantes por perto e walking distance das principais atrações.
O que fazer: assim como em muitas cidades da Europa, pode-se dispensar o carro para conhecer a cidade, mas reserve-o para bate-voltas pela região; a Irlanda do Norte é pequena e dá para conhecê-la inteirinha de carro. Aqui vão algumas das principais atrações de Belfast:
Titanic Belfast: o tão conhecido navio Titanic, que naufragou nas águas do Oceano Atlântico há exatos 100 anos, foi construído em Belfast. O museu apresenta recriações do mobiliário e das louças, junto com efeitos especiais e experiências de terceira dimensão. A ideia é transportar o visitante à época e passar a sensação de como seria ter embarcado no mais famoso navio da história.
Ulster Museum: Ulster é o nome da província irlandesa onde está localizada Belfast. Este museu conta a história da região, incluindo arqueologia, antiguidades, arte, história natural e tecnologia. Um dos pontos altos do museu são os tesouros resgatados do navio espanhol Girona, que naufragou no norte da ilha em 1588. Atualmente o museu está com uma exposição interessante sobre a arte nas décadas de 60 e 70.
Queen’s University: Essa belíssima universidade do início século XIX é o cartão postal de Belfast. Para quem gosta de arquitetura antiga, vale a visita.
Botanic Gardens: agradável jardim ao lado da Queen’s University, é bastante freqüentado pelos residentes. Os highlights são o Palm House e o Tropical Ravine. Vá sem pressa, sente-se em um dos bancos e observe o movimento. Não se arrependerá.
Shankill Road: rua localizada na zona oeste de Belfast, seus arredores foram palco de muitos atentados e conflitos provocados pelo IRA durante quase três décadas, durante um período conhecido como The Troubles. Hoje, para você que gosta de “olhar os muros” (relembre aqui), a Shankill Road é um prato cheio. Principalmente pelas ruas transversais e paralelas, é possível encontrar vestígios daquela época não tão longe, com frases políticas, incentivos à luta e belíssimos desenhos.
Belfast City Hall: o prédio da prefeitura de Belfast é maravilhoso, ainda mais em um dia de sol e céu azul! Localizado bem no centro da cidade, o prédio está aberto a visitas de segunda à sábado. Para horários de visitas e outras informações, clique aqui.
Finalmente, reserve um dia para passear de carro pelos arredores de Belfast. Siga em direção a Bushmills, casa das destilarias de uísque ao norte da ilha, onde está a fabulosa Giant’s Causeway, uma formação geológica misteriosa que é considerada patrimônio histórico pela Unesco, a míseros 100 km de Belfast. Na volta à capital, sugiro descer margeando o Lough Neagh (Lago Neagh), o maior lago das ilhas britânicas, passando pela adorável cidade de Antrim. Prepare a sua máquina fotográfica, as paisagens no caminho são de encher os olhos!! Para mais informações sobre a Causeway, acesse aqui.
Todas as atrações de Belfast e dicas gerais você pode encontrar aqui.
Enjoy your trip, mate!
Você sabia?
** A Irlanda do Norte faz parte do Reino Unido, mas não da Grã Bretanha. A Grã Bretanha é constituída por Inglaterra, Escócia e Pais de Gales. Grã Bretanha + Irlanda do Norte formam o Reino Unido. A República da Irlanda, cuja capital é Dublin, não faz parte de UK e é totalmente independente deles (a moeda da Irlanda, inclusive, é o Euro).
A ilha da Irlanda foi oficialmente dividida entre “Norte” e “República” em 1921. O norte é protestante (assim como o resto do UK) e o sul – República - católico. Os católicos mais radicais que permaneceram no norte formaram o IRA (Irish Republican Army), com a finalidade de revidar a entrega das “suas terras” aos protestantes. Após muitos conflitos religiosos, igrejas incendiadas e católicos perseguidos e mortos, enfim o IRA passou a aterrorizar os protestantes, principalmente em Belfast, mas também em todo o Reino Unido. Os protestantes mais radicais, por sua vez, criaram seus exércitos para se defender do IRA, acarretando numa “guerra-civil” generalizada. Porém, tudo isso hoje é passado. Em 2005, o IRA anunciou o fim do protesto armado e desde então seus protestos são raros, pacíficos e democráticos.
** Segundo historiadores, Saint Patrick, conhecido santo padroeiro da Irlanda, teria vivido grande parte de sua vida na Irlanda do Norte
O Se7e Malas também é cultura;)













